DEPOIMENTO À COMISSÃO DA VERDADE REVIVE A
MORTE DE JK, 37 ANOS DEPOIS

Assassinato
Já no velório comentava-se que “os generais”
tinham executado JK, para que ele não voltasse à presidência após a anistia,
que só viria, pelas mãos de Figueiredo, em 1979.
Na Comissão da Verdade

Josias repetiu o que disse à Justiça em
1976: o ônibus que ele conduzia foi ultrapassado por um Opala em alta
velocidade, que ao invés de seguir a curva, prosseguiu em linha reta,
atravessando o canteiro central até a pista contrária, onde colidiu com um
caminhão Scania.
“Nem ele bateu em nós, nem nós batemos
nele. Parei o ônibus para socorrer. Não sabia quem estava no Opala. Mas não
teve socorro. O motorista já estava morto e ainda vi o presidente piscar duas
vezes antes de morrer”. Narrou Josias.
Josias confirmou à Comissão que cinco dias
depois do acidente, dois homens estiveram na casa dele e lhe ofereceram
dinheiro para que assumisse que havia fechado o Opala, causando o acidente. Com
medo, ele recusou a oferta.
Josias foi inocentado do homicídio culposo
porque a perícia comprovou que um arranhão na lataria do ônibus era de uma
tinta usada em anilhas de proteção na rodoviária de São Paulo e não do
Opala de
JK.

O AI-5
Em 13.12.1968 a ditadura decretou o Ato
Institucional n° 5, que ficou conhecido como o “Golpe dentro do golpe": a
linha dura do Exército assumiu ali as rédeas do regime.
Naquela noite, JK paraninfava uma turma de
engenharia no Rio de Janeiro. À saída foi preso por vários dias e “aconselhado”
a sair do Brasil.
Exílio e a volta
A partir de 1968 JK exilou-se por duas
vezes e voltou ao Brasil, definitivamente, ainda sob a ditadura, por volta de
1971, quando comprou uma quinta nas bordas de Brasília, mas a ditadura o
proibiu de pisar na capital.
Em janeiro de 1972, clandestinamente, na
boleia de um velho caminhão Ford, JK revisitou a cidade que construiu. Ouvida
do próprio Juscelino, a visita foi narrada pelo jornalista Carlos Chagas no
artigo, publicado em “O Estado de S. Paulo”, “Brasília não vê JK chorar".
Não sei se é lenda urbana, mas conta-se que
em um dos bolsos do paletó do ex-presidente, quando lhe despiram as vestes do
corpo fenecido, estava o recorte do jornal, com o artigo de Carlos Chagas.
De volta ao Planalto Central
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